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PCA 3: 1º teste molecular no diagnóstico do cancro da próstata

por Laboratórios Germano de Sousa, em 11.11.13

O cancro da próstata é a quarta causa de morte entre os homens. Face à inexistência de sintomas no estádio inicial da neoplasia e que as atuais ferramentas de diagnóstico não invasivas (PSA e toque rectal), apresentam uma série de insuficiências e dúvidas a que a biópsia prostática quando negativa muitas vezes não responde, surge a necessidade de recorrer a outra tipologia de testes que permitam melhorar a exatidão do diagnóstico.

A determinação do gene 3 do cancro da próstata (PCA3) é a nova ferramenta que surge para dar resposta a esta procura e é realizada mediante uma técnica de biologia molecular, executada numa amostra de urina, melhorando o diagnóstico do cancro da próstata.

No diagnóstico são atualmente utilizados três de testes: toque rectal, PSA e Biópsia Prostática. Este último é o mais realizado, mas tal como as duas primeiras tipologias de testes têm revelado um valor de preditivo positivo (VPP) muito baixo, além de que biópsias seriadas podem originar complicações.

O Gene 3 do cancro da próstata é o primeiro marcador molecular que pode contribuir para minimizar os problemas referidos e melhorar o diagnóstico do cancro da próstata. O PCA3 não é afetado pelo tamanho da próstata, mas apenas pelo tamanho da massa neoplásica prostática e pela agressividade tumoral, sendo assim altamente específico do cancro prostático. Assim, o PCA3 surge como um teste de diagnóstico não invasivo, reduz o número de biópsias e melhora os procedimentos que conduzem ao diagnóstico do cancro da próstata.

Resultados aumentados do ratio de PCA3 correlacionam-se com uma elevada probabilidade de encontrar uma biópsia prostática positiva. Quanto mais alto o ratio de PCA3, maior a percentagem de homens com uma biópsia positiva. A partir do ratio de 35 existe uma maior probabilidade de ter cancro de próstata, e como tal indica a necessidade de fazer uma biópsia da próstata. Com um ratio < 35 existe uma baixa probabilidade de ter um cancro da próstata.

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publicado às 17:40


4 comentários

De Carlos Reis a 27.11.2013 às 20:29

Sei que por intermédio das análises do PSA e exame por toque rectal se vai prevenindo muito do Cancro da Próstata, e só quando estes dois exames exibem valores elevados é que se recorre a biopsia prostática. Como se sabe esta intervenção pode ter complicações e isso acarreta consequências para o paciente em exame. No caso de exame por identificação genética o PCA3, e seu calculo, conseguem a identificação, que perante valores superiores a 35, e que as biopsias também realizadas nos mesmos pacientes se encontravam indícios do Cancro da Prostata. Não será este exame, um exame menos interventivo e com a mesma fiabilidade que a biopsia? Não será que o exame por PCA3 possa vir a substituir o exame por biopsia? Ou transformar o exame por biopsia no ultimo recurso?

De Laboratórios Germano de Sousa a 29.11.2013 às 17:45

Sr. Carlos Reis

O teste PCA3 determina a probabilidade de a primeira ou segunda biópsia serem positivas.
Dependendo do valor de cut off definido para o PCA3 o valor preditivo varia, assim:

Segundo - Shappell, Urology 73; 363-368, 2009
para o Cut off do score de 35 a sensibilidade varia entre 60 a 70% e a especificidade de 70 a 82%
O valor preditivo Positivo é de 75% antes da primeira biópsia.

Segundo - Wei JT, Sanda M, Thompson I, Partin A, Feng Z, Sokoll L, Groskopf J, Brown E, Lotan Y, Kibel AS, Busby E, Bidair M,
Lin D, Taneja S, Viterbo R, Kagan J, Srivastava S. The National Cancer Institute (NCI) Early Detection Research Network (EDRN) urinary PCA3 validation
trialPresented at the Global Congress of Prostate Cancer, 28-30 June 2012, Brussels, Belgium
O Valor preditivo aumenta para 80% para PCA3 score acima de 60 na primeira biópsia
O Valor preditivo Negativo é de 88% para PCA3 Score abaixo de 20 em segunda biópsia

A biópsia isolada:
Segundo Seitz et al . Minerva UrolNefrol2003; 55: 205-18. Raja et al. Clin Radiol2006; 61:142-53
Peyromaure et al; J Urol2002; 167:218-21. Tombal B. EurUrol Suppl2006;5:511-3; Bozeman CB, et al. Urology 2005;66:803-7; Vollmer RT. Am J ClinPathol 2006;125:336-42; Seitz C, et al. Minerva Urol Nefrol2003;55:205-18; Raja J, et al. ClinRadiol 2006;61:142-53; de la De la TailleA, et al. J Urol 2011;185:2119-25
Com toque rectal suspeito: 60 a 70% das biópsias são negativas com PSA entre 2.5-10 ng/ml
A Biópsia dá 10 a 25%de falsos Negativos o que dá um falso sentimento de segurança.
Só 1% do tecido da próstata é examinado.

Assim concluo que:
O teste PCA3 não tem 100% de especificidade garantida ao contrário da Biópsia positiva que é 100% especifica.
A Biópsia nunca será substituída pelo PCA3 como diagnóstico final. A Biópsia tem as limitações descritas atrás. Na prática não tem Preditividade Negativa.

O PCA3 oferece hoje um Valor Preditivo Positivo Diagnóstico mais elevado e Preditivo Negativo mais baixo , levando o PCA3 a ser considerado no futuro o melhor meio para:
- Screening se tivesse um preço baixo
- Vigilância terapêutica para doentes com cancro da próstata diagnosticados ( O PCA3 tem correlação com score de Gleason sendo diretamente relacionável com a agressividade do tumor)

Ao dispor para qualquer dúvida

José Germano de Sousa

De Hugo a 29.11.2013 às 00:49

Boa Noite. Gostaria que me informassem se este exame do PCA3 é comparticipado e qual o respectivo valor? Obrigado.

De Laboratórios Germano de Sousa a 29.11.2013 às 17:13

Boa tarde,
O teste PCA 3 é comparticipado pela Multicare e pelo SAMS Quadros.
O valor do PCA3 são 245,00€.

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Médico Responsável:Dr. José Germano de Sousa

germano Nasceu em Lisboa em 1972. É Médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa desde 1997. Fez os seus Internatos no Hospital dos Capuchos (Internato Geral) e no Hospital Fernando Fonseca (Internato da Especialidade). É especialista em Patologia Clínica pela Ordem dos Médicos desde 2001 e é atualmente Assistente Graduado de Patologia Clínica do Serviço Patologia Clínica do Hospital Fernando Fonseca (Amadora Sintra) onde é o chefe da secção de Biologia Molecular Possui uma pós Graduação em Gestão de Unidades de Saúde pela Universidade Católica Portuguesa. Foi Assistente de Patologia Geral e de Semiótica Laboratorial nos Cursos de Técnicos de Análises Clínicas e Curso de Médicos Dentistas do Instituto Egas Moniz.Exerce desde 2001 a sua atividade privada, sendo desde Julho de 2004 responsável pela gestão dos Laboratórios Cuf e Clínicas Cuf para a área de Patologia Clínica. Tem várias comunicações e publicações sobre assuntos da sua especialidade


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