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A Medicina Laboratorial no diagnóstico da infeção pelo vírus Zika

por Laboratórios Germano de Sousa, em 17.02.16

O Zika é um vírus da família Flaviviridae transmitido aos seres humanos através da picada de um mosquito infetado, sendo o principal vetor a espécie Aedes Aegypti.

A doença causada por este vírus é, regra geral, de intensidade ligeira e não provoca sintomatologia em cerca de 80% dos casos. O período de incubação varia entre 3 a 12 dias após a picada do mosquito e os sintomas que possam surgir são similares a outras infeções por arbovírus, como o dengue, e são febre, cefaleia, exantema, conjuntivite e dores musculares, manifestações estas, com durabilidade de cerca de 2 a 7 dias.

O período de incubação do Zika é reduzido, geralmente cerca de 5 dias, pelo que a sua deteção pode ser realizada no sangue, após o aparecimento da sintomatologia e na urina até 10 dias.

Os primeiros alertas mundiais surgiram em Maio de 2015, a propósito de vários casos ocorridos no Continente Americano, sobretudo Brasil, de síndrome de Guillain-Barré (doença neurológica rara) e de microcefalia (alterações do desenvolvimento do cérebro e do crânio) em fetos e recém-nascidos de mães, que foram infetadas pelo vírus Zika nos dois primeiros trimestres da gravidez.

Laboratorialmente possuímos técnicas de diagnóstico molecular e imunológico, que nos permitem identificar o Zika em circulação na corrente sanguínea ou na urina e identificar os anticorpos após a exposição ao vírus. O diagnóstico de infeção pelo Vírus Zika é realizado através da deteção de RNA viral em amostras biológicas na fase aguda da doença, no sangue, até 5 dias após o aparecimento dos sintomas e na urina, líquido amniótico e tecidos fetais até 10 dias e ainda pela pesquisa e doseamento de anticorpos no soro. Os anticorpos IgM produzidos como resposta à infeção, podem ser detetados a partir do terceiro dia após o aparecimento da febre. É igualmente diagnosticado através da Reação de Amplificação de Polimerase (PCR), permitindo obter a sequência de ADN do vírus, verificar mutações e identificar estirpes.

Os resultados serológicos obtidos devem ser interpretados em articulação com os clínicos e de acordo com a possível exposição anterior do paciente a outras infeções por flavivírus.

Prevenção da infeção pelo vírus

  • Não existem vacinas para a prevenção da infeção pelo vírus Zika;
  • A principal medida de prevenção consiste em evitar a picada do mosquito, quer através de barreiras mecânicas (vestuário apropriado, redes mosquiteiras etc.), ou através de barreiras químicas (repelentes ou inseticidas);
  • Dar preferência a locais com ar condicionado.

Medidas de prevenção na gravidez

  • As mulheres grávidas, em qualquer trimestre, devem considerar adiar possíveis viagens para países ou territórios onde estão descritos casos de transmissão do vírus Zika;
  • As mulheres grávidas devem ser informadas dos possíveis riscos antes de viajar para países de risco (em consulta com o médico assistente ou consulta do viajante) e seguir todas as recomendações para prevenir as picadas de mosquitos durante a viagem.
  • As mulheres que estão a tentar engravidar ou ponderar engravidar devem consultar o seu médico assistente antes de viajar e seguir todas as recomendações para prevenir as picadas de mosquitos durante a viagem.
  • As mulheres grávidas que permaneceram em áreas afetadas, após o regresso, deveram consultar o seu médico assistente e mencionar a viagem.
  • É seguro e eficaz o uso de repelentes para insetos durante a gravidez e amamentação. Contudo devem ser utilizados segundo as recomendações médicas e de acordo com as especificidades do produto.
  • Como o vírus parece poder ser eliminado pelo esperma recomenda-se o uso de relações sexuais protegidas

O vírus Zika permanece no sangue de uma pessoa infetada durante alguns dias a uma semana. O vírus não causa infeção numa criança concebida após a ausência de vírus na circulação sanguínea. Não existe evidência de que as infeções pelo vírus Zika ponham em risco futuras gravidezes, quanto ao desenvolvimento de malformações.

 

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publicado às 18:20


1 comentário

De Matilde a 25.02.2016 às 23:31

Qual a opinião do vosso laboratório sobre a possibilidade do vírus Zika causar casos de microcefalia em bebés?

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Médico Responsável:Dr. José Germano de Sousa

germano Nasceu em Lisboa em 1972. É Médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa desde 1997. Fez os seus Internatos no Hospital dos Capuchos (Internato Geral) e no Hospital Fernando Fonseca (Internato da Especialidade). É especialista em Patologia Clínica pela Ordem dos Médicos desde 2001 e é atualmente Assistente Graduado de Patologia Clínica do Serviço Patologia Clínica do Hospital Fernando Fonseca (Amadora Sintra) onde é o chefe da secção de Biologia Molecular Possui uma pós Graduação em Gestão de Unidades de Saúde pela Universidade Católica Portuguesa. Foi Assistente de Patologia Geral e de Semiótica Laboratorial nos Cursos de Técnicos de Análises Clínicas e Curso de Médicos Dentistas do Instituto Egas Moniz.Exerce desde 2001 a sua atividade privada, sendo desde Julho de 2004 responsável pela gestão dos Laboratórios Cuf e Clínicas Cuf para a área de Patologia Clínica. Tem várias comunicações e publicações sobre assuntos da sua especialidade


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