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A Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa são Doenças Inflamatórias Intestinais e representam um grupo heterogéneo de patologias crónicas, de etiologia desconhecida e evolução variável.

A Doença de Crohn define-se como um processo inflamatório crónico que afeta um ou mais segmentos do tubo digestivo, enquanto a Colite Ulcerosa atinge o reto, estendendo-se continuamente, podendo atingir a totalidade do colón.

Estudos epidemiológicos comprovam o aumento das Doenças Inflamatórias Intestinais. O seu diagnóstico depende de critérios clínicos, radiográficos, endoscópicos e laboratoriais. Cerca de 4 a 5 dos doentes com Doenças Inflamatórias Intestinais podem ser diagnosticados apenas pela pesquisa da presença de autoanticorpos no soro.

No diagnóstico das Doenças Intestinais são realizados essencialmente os exames laboratoriais: Hemograma, Velocidade de Sedimentação, Proteína C Reativa, Ureia, Creatinina, Ionograma, Trasaminases (ALT/AST), Fosfatase Alcalina, Gama Glutamil Transpeptidase (GGT), Bilirrubina, Urina tipo II, Coprocultura, Siderémia, Ferritina, Transferrina, Vitamina B12 e Ácido Fólico. O Hemograma funciona como um painel de testes que examina diferentes constituintes do sangue, sendo assim uma análise clínica essencial no despiste de infeções, enquanto a Proteína C Reativa é uma proteína produzida na mucosa intestinal e presente no sangue em resposta à inflamação em fase aguda. A Siderémia e a Transferrina visam detetar uma eventual carência de ferro, que pode tornar a função dos glóbulos vermelhos pouco eficiente e a Coprocultura, exame realizado às fezes, verifica a presença de sangue ou bactérias. A Urina tipo II permite uma avaliação quantitativa das substâncias na urina e observar ao microscópio microrganismos e outras células da urina como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e células epiteliais.

Testes laboratoriais complementares podem auxiliar no diagnóstico difícil entre a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa, mas geralmente não se realizam como rotinas. Os anticorpos frequentemente utilizados nestes testes complementares são os anti citoplasma de neutrófilos (pANCA) e os anti-Saccharomyces cerevisiae (ASCA) e assim poucos são os pacientes que permanecem com diagnóstico inconclusivo.

Os anticorpos ASCA são detetados em 40 a 60% dos pacientes com Doença de Crohn e em 5 a 15% dos pacientes com Colite Ulcerosa. Estes anticorpos são altamente específicos no diagnóstico da Doença de Crohn, com taxas de diagnóstico de 89 a 97% e a combinação com os PANCA resulta numa alta especificidade na deteção da Colite Ulcerosa. Os anticorpos anti-Saccharomyces cerevisiae (ASCA) prevalecem mais significativamente nos doentes com Doença de Crohn, comparativamente com os doentes com Colite Ulcerosa. Estudos revelam que a presença de IgG ou IgA ASCA tem uma especificidade elevada para a Doença de Crohn.

Os anticorpos anti citoplasma de neutrófilos (PANCA) são encontrados em 70% dos pacientes com Colite Ulcerosa e apenas em 20% dos indivíduos com Doença de Crohn. A presença de ASCA e ausência de PANCA suporta o diagnóstico de Doença de Crohn.

Também específico no diagnóstico da Doença de Crohn é o Anticorpo Anti Pâncreas Exócrino, que reage com antigénios presentes no suco pancreático e são encontrados em cerca de 30 a 40% dos doentes com esta doença. Na Colite Ulcerosa deve ser considerado no diagnóstico o Anticorpo Anti Células de Globet (GAb), altamente específico para a doença.

 

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publicado às 16:32



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Médico Responsável:Dr. José Germano de Sousa

germano Nasceu em Lisboa em 1972. É Médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa desde 1997. Fez os seus Internatos no Hospital dos Capuchos (Internato Geral) e no Hospital Fernando Fonseca (Internato da Especialidade). É especialista em Patologia Clínica pela Ordem dos Médicos desde 2001 e é atualmente Assistente Graduado de Patologia Clínica do Serviço Patologia Clínica do Hospital Fernando Fonseca (Amadora Sintra) onde é o chefe da secção de Biologia Molecular Possui uma pós Graduação em Gestão de Unidades de Saúde pela Universidade Católica Portuguesa. Foi Assistente de Patologia Geral e de Semiótica Laboratorial nos Cursos de Técnicos de Análises Clínicas e Curso de Médicos Dentistas do Instituto Egas Moniz.Exerce desde 2001 a sua atividade privada, sendo desde Julho de 2004 responsável pela gestão dos Laboratórios Cuf e Clínicas Cuf para a área de Patologia Clínica. Tem várias comunicações e publicações sobre assuntos da sua especialidade


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