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Doenças do Estômago

por Laboratórios Germano de Sousa, em 01.06.15

Diagnóstico Laboratorial da Helicobacter Pylori

 

A Helicobacter Pylori adquiriu grande importância durante as últimas décadas, ao ser reconhecida como uma importante bactéria patogénica que infeta grande parte da população humana. A sua erradicação representa um grande desafio para a medicina laboratorial.

Esta bactéria, localizada na mucosa gástrica, apresenta uma relação causal com algumas patologias como o carcinoma gástrico e a úlcera péptica.

No diagnóstico da H. Pylori o médico assistente pode apoiar-se numa série de sintomas relacionados com algumas patologias gástricas e que são a favor da infeção e posteriormente a avaliação deve ser corroborada com exames laboratoriais específicos. Apenas laboratorialmente é possível confirmar a presença da H. Pylori. Existem diversos métodos para detetar a infeção pela bactéria e estão divididos em dois grupos, dependendo da técnica utilizada para colheita de amostra: métodos invasivos, que se realizam com base numa amostra de mucosa gástrica obtida por biópsia e testes não-invasivos.

 

Testes Invasivos

 

Urease: Para efetuar o teste da Urease deve realizar-se uma endoscopia digestiva para visualização do estômago, de forma a pesquisar a atividade enzimática da Urease numa pequena fração da mucosa. Coloca-se fragmentos da biópsia da mucosa gástrica numa tira de papel, que contém ureia e um indicador de acidez. A Urease que é uma enzima, produzida pela H. Pylori, cinde a molécula de ureia libertando amónia, que é alcalina e altera a cor do indicador. Caso o resultado do teste seja positivo significa que o paciente possui a bactéria no estômago e deve iniciar o tratamento à base de antibióticos para eliminá-la o mais rapidamente possível, antes do desenvolvimento de patologias graves como as úlceras ou posteriormente o cancro do estômago.

Exame Cultural: O isolamento da H. Pylori nem sempre é bem-sucedido, pois trata-se de uma bactéria exigente e necessita de meios de cultura complexos. É o teste de diagnóstico mais específico, mas requer cuidados especiais no transporte da biópsia para o laboratório.

Exame Histológico: O exame histológico consiste no estudo de tecidos biológicos através da microscopia das amostras obtidas na biópsia e é um exame de diagnóstico frequentemente utilizado.

Biologia Molecular: Recorre ao uso da Reação de Amplificação de Polimerase (PCR) que é realizada a partir de amostras de biópsias gástricas e a sua grande vantagem reside no facto de permitir obter a sequência do ADN da bactéria, permitindo verificar mutações e identificar estirpes de H. Pylori.

 

Testes Não-Invasivos

 

Teste Serológico: A infeção por H. pylori provoca uma resposta imunológica local e sistémica levando à produção de anticorpos contra esta bactéria. Este teste visa determinar quantitativamente e/ou qualitativamente os anticorpos IgG anti-H. pylori. Os anticorpos IgG específicos contra a H. Pylori podem ser detetados por um método de ELISA (ensaio imunoenzimático). Deve ser considerado apenas como método de despiste, utilizando-se maioritariamente em doentes dispépticos ou assintomáticos numa tentativa de erradicar a H. Pylori e como prevenção do cancro do estômago. Em casos de serologia positiva, o diagnóstico de gastrite ou de úlcera deverá ser confirmado por avaliação clínica e com exames mais específicos.

Teste Respiratório com Ureia: É considerado o principal exame para deteção da infeção pela H. Pylori. Consiste num teste respiratório em que é dado a ingerir ao paciente um líquido com vitamina C e a seguir uma dose de ureia marcada com isótopo do carbono, o carbono13. A ureia, na presença da enzima Urease hidrolisa-se e o CO2 libertado, marcado isotopicamente, é detetado por espectrometria de massa, numa amostra de ar expirado. A radioatividade no ar expirado permite assim avaliar o grau de infeção pela H. Pylori.

Pesquisa de Antigénio Fecal: Este teste baseia-se na utilização de anticorpos para deteção de antigénios da H. Pylori nas fezes. Pode ser realizado através de testes laboratoriais com ELISA ou utilizando a técnica imunocromatográfica, que permite o diagnóstico da infeção no momento.


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publicado às 13:01



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Médico Responsável:Dr. José Germano de Sousa

germano Nasceu em Lisboa em 1972. É Médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa desde 1997. Fez os seus Internatos no Hospital dos Capuchos (Internato Geral) e no Hospital Fernando Fonseca (Internato da Especialidade). É especialista em Patologia Clínica pela Ordem dos Médicos desde 2001 e é atualmente Assistente Graduado de Patologia Clínica do Serviço Patologia Clínica do Hospital Fernando Fonseca (Amadora Sintra) onde é o chefe da secção de Biologia Molecular Possui uma pós Graduação em Gestão de Unidades de Saúde pela Universidade Católica Portuguesa. Foi Assistente de Patologia Geral e de Semiótica Laboratorial nos Cursos de Técnicos de Análises Clínicas e Curso de Médicos Dentistas do Instituto Egas Moniz.Exerce desde 2001 a sua atividade privada, sendo desde Julho de 2004 responsável pela gestão dos Laboratórios Cuf e Clínicas Cuf para a área de Patologia Clínica. Tem várias comunicações e publicações sobre assuntos da sua especialidade


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