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O Diagnóstico de Lúpus

por Laboratórios Germano de Sousa, em 29.07.14

Os critérios do Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology (ACR)), revistos em 1997, para o diagnóstico e classificação do Lúpus Eritematoso Sistémico, são baseados no conjunto de critérios estabelecidos em 1971 (e revistos em 1982) por um grupo de clínicos da anterior Associação Americana de Reumatologia. Estes critérios, com base em metodologia estatística e doentes reais, têm uma sensibilidade de 78 a 96% e uma especificidade do 89 a 100%.

São necessários um mínimo de quatro critérios para se poder considerar que se está perante um diagnóstico de Lúpus:

 

Os onze critérios da Associação Americana de Reumatologia

 

Critério/Definição

 

1. Exantema Malar

Eritema fixo, achatado ou elevado, sobre a região malar, poupando as pregas nasolabiais (em forma de borboleta)

 

2. Exantema Discoide

Manchas eritematosas elevadas com escalas queratósicas; cicatrizes atróficas emlesões antigas.

 

3. Fotosensibilidade

Erupção cutânea como resultado de reacção pouco usual à luz ultra-violeta.

 

4. Ulceras Orais

Ulceração oral ou nasofaríngea.

 

5. Artrite não erosiva

Atrite não erosiva envolvendo 2 ou mais articulações periféricas, caracterizadas por dor, edema ou derrame. 

 

6. Serosite

Pleurite evidente na história clínica ou evidência de derrame pleural

OU

Pericardite documentada por electrocardiograma ou por evidência de derrame pericárdico

 

7. Disfunção Renal

Proteinúria persistente>0,5 gr/dia ou >3+ na urina tipo II

OU

Cilindros celulares (cilindros hemáticos, células granulares, tubulares ou mistos)

 

8. Disfunção Neurológica

Convulsões, na ausência de drogas ou disfunções metabólicas (urémia, cetoacidose ou desequilíbrio hidroelectrolítico)

OU

Psicose, na ausência de drogas ou disfunções metabólicas (urémia, cetoacidose ou desequilibrio hidroelectrolítico)

 

9. Disfunção Hematológica

Anemia hemolítica com reticulocitose

OU

Leucopénia (<4.000/mm3 em ≥ 2 ocasiões)

OU

Linfopénia (< 1,500/ mm3 em ≥ 2 ocasiões)

OU

Trombocitopénia (<100,000/ mm3) na ausência de consumo de drogas

 

10. Disfunção Imunológica

Anti-dsDNA: anticorpo anti-DNA num título elevado

OU

Anti-Sm: presença de anticorpos antigénio nuclear anti-Sm

OU

Achados de resultados positivos de anticorpos anti-fosfolípidos:

  • Anticorpo anti-cardiolipina (ACA) (IgG ou IgM )
  • Resultado positivo do teste anticoagulante lúpico (LA)
  • Resultado falso-positivo do teste VDRL (durante pelo menos 6 meses) confirmado por FTAbs ou RPR (testes treponémicos)

 

11. Anticorpos Anti-nucleares(ANA)

 

Título anormal de ANA por IIF (na ausência de consumo de drogas)

 

 

O diagnóstico de Lúpus baseia-se em dados clínicos e laboratoriais

Os testes laboratoriais, só por si, não são suficientes para o diagnóstico. Ou seja, uma pessoa pode ter positiva a análise mais conhecida como associada ao LES (ANA - Anticorpo Antinuclear) e ser sempre saudável. No entanto, em conjunto com os sintomas referidos pelo doente e os sinais observados pelo médico, são muito úteis.

Nalguns casos o diagnóstico é difícil de obter porque, apesar de se suspeitar fortemente de Lúpus, os dados clínicos nesse momento não são suficientes para fazer um diagnóstico. Nestes casos, só o desenrolar da situação clínica é que nos confirmará a presença da doença. Por outro lado, o Lúpus tem formas de apresentação muito variadas, facto que também pode dificultar o diagnóstico.

As alterações laboratoriais que sugerem Lúpus, são essencialmente:

  • Alterações do hemograma:
    • Diminuição dos glóbulos vermelhos, também chamados eritrocitos, (anemia) por destruição destes (anemia hemolítica) ou diminuição da sua produção (anemia da doença crónica),
    • Diminuição dos glóbulos brancos, também conhecidos como leucócitos, (leucopenia) e em particular de um subtipo específico dos leucócitos: os linfócitos (linfopenia)
    • Diminuição das plaquetas (trombocitopenia)
    • Alterações dos parâmetros da inflamação:
      • Elevação da velocidade de sedimentação (VS)
    • Alterações imunológicas:
      • Existência de auto-anticorpos (substâncias que reconhecem e atacam constituintes do nosso próprio corpo):
      • anticorpos antinucleares (ANA)
      • anticorpos anti-dsDNA e anti-Sm
      • anticorpos anti-SS-A e anti-SS-B
      • anticorpos anti-RNP
      • anticorpos antifosfolípidos (anti-cardiolipina, anti-Beta2 GP1) muitas vezes associados a tromboses,
    • Diminuição de determinados componentes do Complemento (substâncias que atacam e destroem as substâncias reconhecidas pelos anticorpos): C3, C4 e CH50.

Embora todas estas alterações laboratoriais possam existir no mesmo doente, em muitos casos só alguns existem numa determinada fase e num mesmo doente.

Os resultados destes parâmetros devem ser interpretados pelo médico assistente do doente, tendo em conta o contexto clínico, permitindo a elaboração de um plano terapêutico.

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publicado às 13:12



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Médico Responsável:Dr. José Germano de Sousa

germano Nasceu em Lisboa em 1972. É Médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa desde 1997. Fez os seus Internatos no Hospital dos Capuchos (Internato Geral) e no Hospital Fernando Fonseca (Internato da Especialidade). É especialista em Patologia Clínica pela Ordem dos Médicos desde 2001 e é atualmente Assistente Graduado de Patologia Clínica do Serviço Patologia Clínica do Hospital Fernando Fonseca (Amadora Sintra) onde é o chefe da secção de Biologia Molecular Possui uma pós Graduação em Gestão de Unidades de Saúde pela Universidade Católica Portuguesa. Foi Assistente de Patologia Geral e de Semiótica Laboratorial nos Cursos de Técnicos de Análises Clínicas e Curso de Médicos Dentistas do Instituto Egas Moniz.Exerce desde 2001 a sua atividade privada, sendo desde Julho de 2004 responsável pela gestão dos Laboratórios Cuf e Clínicas Cuf para a área de Patologia Clínica. Tem várias comunicações e publicações sobre assuntos da sua especialidade


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