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O Coronavirus de Wuhan

por Laboratórios Germano de Sousa, em 05.02.20

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Identificados nos anos 60, várias estirpes de coronavírus estão na origem de infeções várias em animais e por síndromas respiratórios leves a moderados nos humanos, nomeadamente a comum constipação.

No entanto, surgiram mais tarde outras estirpes que se revelaram mais agressivas para a espécie humana. Existindo até aí apenas em animais, conseguiram passar a barreira entre espécies, sendo uma delas, em 2002, o agente etiológico de um síndroma respiratório agudo e grave (Severe Acute Respiratory Syndrome - SARS”). Designada por isso SARS-CoV, a estirpe surgiu na China e, até ser eficazmente contida em 2004, infetou mais de 8.000 pessoas e causou 10% de mortes.

Em 2012, um novo coronavírus, distinto do SARS-CoV, surgiu na Arábia Saudita. sendo os camelos o seu reservatório. Responsável por um síndroma respiratório grave, que se espalhou pelo Médio Oriente, (“Middle East Respiratory Syndrome-MERS” o vírus foi designado por MERS-CoV, sendo a sua disseminação contida em 2013.

Em Dezembro de 2019, um novo coronavírus, na cidade de Wuhan, na China, infetou já mais de 1450 pessoas provocando cerca de 3,5% de óbitos por pneumonia. Era também até agora uma estirpe desconhecida e terá também origem animal, tendo possivelmente passado a barreira da espécie por ingestão de carne de cobra. Com um genoma em 70% idêntico ao SARS-CoV, é tão agressivo para a espécie humana como este e transmite-se de pessoa a pessoa. Este novo coronavírus, exatamente por ser novo, mereceu a designação de 2019-nvCoV. Se a grande maioria dos doentes infetados por ele estão na cidade de Wuhan já existem registo de vários casos confirmados ou suspeitos em muitos países de todos os continentes incluindo 1 caso suspeito em Portugal, embora de resultado negativo, segundo a DGS, depois de feitas as análises.

O quadro comum a todos os doentes são Infeções respiratórias com manifestações clínicas que vão de médias a muito graves. Febre, fadiga e tosse seca estão presentes em quase todos os doentes. Dificuldades respiratórias e pneumonias complicam 15% dos casos.  O diagnóstico é laboratorial sendo feito por testes de biologia molecular que pesquizam o DNA do vírus nas secreções respiratórias dos doentes.

Não existe ainda tratamento específico para infeções causadas por coronavírus. No caso do novo coronavírus é indicado repouso e consumo de líquidos, além de medidas que aliviam os sintomas, tais como os antipiréticos. O aparecimento de qualquer dificuldade respiratória obriga a procurar ajuda médica.

No que respeita à prevenção, ainda não existe vacina contra este coronavírus. As medidas que a OMS e as autoridades sanitárias de todos os países já tomaram para conter este surto viral, a fazer fé no sucesso conseguido com o controle do SARS-CoV e do MERS-CoV, resultarão por certo eficazmente. Restam as medidas que qualquer um deve tomar frente a qualquer surto viral: evitar contacto próximo com pessoas que sofrem de infeções respiratórias agudas, lavar as mãos com frequência, utilizar lenços de papel descartáveis, cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir; não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas e manter os ambientes bem ventilados.

 

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publicado às 18:02



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Médico Responsável:Dr. José Germano de Sousa

germano Nasceu em Lisboa em 1972. É Médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa desde 1997. Fez os seus Internatos no Hospital dos Capuchos (Internato Geral) e no Hospital Fernando Fonseca (Internato da Especialidade). É especialista em Patologia Clínica pela Ordem dos Médicos desde 2001 e é atualmente Assistente Graduado de Patologia Clínica do Serviço Patologia Clínica do Hospital Fernando Fonseca (Amadora Sintra) onde é o chefe da secção de Biologia Molecular Possui uma pós Graduação em Gestão de Unidades de Saúde pela Universidade Católica Portuguesa. Foi Assistente de Patologia Geral e de Semiótica Laboratorial nos Cursos de Técnicos de Análises Clínicas e Curso de Médicos Dentistas do Instituto Egas Moniz.Exerce desde 2001 a sua atividade privada, sendo desde Julho de 2004 responsável pela gestão dos Laboratórios Cuf e Clínicas Cuf para a área de Patologia Clínica. Tem várias comunicações e publicações sobre assuntos da sua especialidade


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