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SARS-CoV-2: após a recuperação é possível voltar a testar positivo?

por Laboratórios Germano de Sousa, em 10.07.20

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Verifica-se que em alguns pacientes, após terem testado positivo ao SARS-CoV-2 (doença de COVID-19), passado uma ou duas semanas ou até mesmo um período de tempo superior apresentam novamente um resultado positivo.

Este novo teste positivo, não significa uma nova infeção, nem a reativação do vírus no organismo. Células do epitélio respiratório, mantêm fragmentos do RNA viral, já inativo, que podem permanecer semanas e até meses no organismo, mesmo após o paciente estar totalmente recuperado da doença. O RNA (ácido ribonucleico) intervém em diversas funções biológicas importantes como a codificação genética, a regulação dos genes e na resistência a vírus, através de um mecanismo designado por interferência de RNA (RNAi). Este processo é desencadeado por pequenas moléculas de RNA provenientes de RNA viral, de sequências codificadas no genoma e geram pequenos fragmentos de interferência de RNA capazes de mediar a resistência a vírus. 

Posteriormente inicia-se um processo de expulsão de células mortas e estes fragmentos emergem para as vias respiratórias superiores e são expelidos, sendo estes fragmentos pulmonares que surgem na amostra obtida do paciente e fazem com que o teste apresente mais uma vez um resultado positivo.

O exame de eleição para detetar a síndrome respiratória aguda grave - coronavírus 2 é o RT-PCR, teste de reação em cadeia da polimerase, exame a partir do qual são aumentados ou replicados segmentos diminutos de RNA, sendo assim bastante preciso para analisar o material genético do vírus, nas amostras recolhidas de secreções respiratórias dos doentes.

Estudos realizados revelam que além de desenvolver anticorpos contra o SARS-Cov-2, os pacientes recuperados produzem quantidades significativas de células T, células do sistema imunológico e também um grupo de glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo contra agentes desconhecidos, formando um complexo e eficiente mecanismo de combate à doença.

A maioria dos pacientes que tiveram COVID-19 têm menor probabilidade de ser reinfectados ou apresentar quadros graves da doença perante uma situação de segunda infeção.

À luz do conhecimento atual, não se sabe ainda se existe uma resposta imunológica definitiva do hospedeiro, após uma primeira infeção, e se este desenvolve imunidade suficiente para proteger de uma próxima exposição ao vírus, pelo que é de extrema importância manter as medidas de proteção recomendadas pela Direção Geral de Saúde isto é, manter o distanciamento no relacionamento pessoal, proceder à desinfeção e/ou lavagem frequente das mãos e evitar grandes ajuntamentos de pessoas.

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publicado às 16:43



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Médico Responsável:Dr. José Germano de Sousa

germano Nasceu em Lisboa em 1972. É Médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa desde 1997. Fez os seus Internatos no Hospital dos Capuchos (Internato Geral) e no Hospital Fernando Fonseca (Internato da Especialidade). É especialista em Patologia Clínica pela Ordem dos Médicos desde 2001 e é atualmente Assistente Graduado de Patologia Clínica do Serviço Patologia Clínica do Hospital Fernando Fonseca (Amadora Sintra) onde é o chefe da secção de Biologia Molecular Possui uma pós Graduação em Gestão de Unidades de Saúde pela Universidade Católica Portuguesa. Foi Assistente de Patologia Geral e de Semiótica Laboratorial nos Cursos de Técnicos de Análises Clínicas e Curso de Médicos Dentistas do Instituto Egas Moniz.Exerce desde 2001 a sua atividade privada, sendo desde Julho de 2004 responsável pela gestão dos Laboratórios Cuf e Clínicas Cuf para a área de Patologia Clínica. Tem várias comunicações e publicações sobre assuntos da sua especialidade


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