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Portugal registou durante o mês de Janeiro p.p. um aumento de casos confirmados de SARS-CoV-2 (COVID19), chegando a atingir valores recorde, inclusivamente de óbitos.

A disseminação acentuada da COVID19 nessas semanas está associada ao aumento dos contactos estabelecidos nas duas épocas festivas no final do ano, ao surgimento da nova variante inglesa do coronavírus, que está a preocupar a comunidade científica, porque se acredita que pode ser mais contagiosa e está já a ser identificada em diversos casos, mas é muito importante frisar que o crescente recurso aos testes de antigénio que se tem vindo a verificar pode contribuir ainda mais para esta disseminação do SARS-CoV-2.

O desempenho destes testes depende muito do contexto clínico e epidemiológico, em que são utilizados, sendo recomendada ponderação e reserva na sua utilização em casos sem critérios clínicos e epidemiológicos. Devem ser usados até ao quinto dia de sintomas, nos hospitais onde não exista testes PCR (teste molecular) e em surtos concretos, onde é preciso isolar os casos positivos de forma rápida.

Têm uma sensibilidade mais baixa do que os testes PCR e, portanto, a probabilidade de obter resultados falsos negativos é maior. Um resultado negativo nesta tipologia de teste não permite excluir, por si só, uma infeção pelo SARS-CoV-2. O resultado negativo tem de ser avaliado junto com a restante informação clínica e com o enquadramento epidemiológico de cada pessoa e deve ser realizado um teste PCR.

Tem-se assistido a uma utilização generalizada e por vezes sem controlo dos testes de antigénio, em empresas, escolas e até mesmo por parte de famílias, pois surge aquela ansiedade de realizar um teste com “resultado rápido” e que as descanse para contactos com familiares, colegas, criando assim esta "falsa sensação de segurança" e que em muitos casos gera contágios e a disseminação do SARS-CoV-2.

O teste PCR continua a ser o teste de diagnóstico de eleição. É um teste molecular que pesquisa ácido ribonucleico (RNA) do genoma do vírus SARS-CoV-2. A amostra, recolhida através de exsudado nasal obtido por zaragatoa segue para laboratório e os resultados são conhecidos num prazo de 48 horas. É um teste 100% exato e apenas funciona na sua totalidade a partir do terceiro dia de uma possível infeção, dado que só após o período de incubação é que o vírus realiza cinco a dez cópias por microlitro de sangue, o suficiente para que a sua ação no organismo se torne detetável. Os falsos positivos são raros e a taxa de falsos negativos é muito inferior à dos testes de antigénio.

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publicado às 15:15

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Os testes de pesquisa de antigénio desenvolvidos para o diagnóstico do SARS-CoV-2 (doença de COVID-19), são testes maioritariamente imunocromatográficos que detetam proteínas específicas do vírus SARS-CoV-2, produzidas pelo vírus replicante no trato respiratório.

Realizados através da colheita de amostras do trato respiratório (normalmente, exsudado da nasofaringe) que não necessitam de ser submetidas ao processo de extração de ácidos nucleicos, permitem a obtenção de resultados num período de tempo curto (entre 10 a 30 minutos) sendo na maioria dos casos de leitura visual ou de leitura ótica em equipamento portátil.

Os testes de antigénio têm muito pouca sensibilidade e aplicabilidade quando comparados com o teste molecular PCR, o teste de eleição e 100% fiável no despiste do SARS-CoV-2. Só têm aplicação em pessoas com sintomas ativos (devem ser utilizados nos primeiros 5 dias), não vão despistar nem podem ser utilizados em pessoas assintomáticas, dado que os assintomáticos não produzem cópias virais suficientes para que o teste acuse um contágio.

Tendo em consideração o baixo custo destes testes e o resultado rápido, de forma a despistar uma febre e tosse de um caso positivo podem por exemplo ser utilizados em escolas, creches, fábricas e lares, percebendo se o indivíduo pode frequentar a escola ou permanecer no local de trabalho. No hospital em que um doente chegue mesmo com sintomas como febre e tosse e com todo um síndrome respiratório alto, se não houver a possibilidade de fazer um teste PCR para que em 40 minutos seja obtido um resultado fiável, então aí sim pode-se recorrer a um teste de Antigénio e até mesmo para na entrada dividir doentes COVID de não COVID.

Em caso de resultado negativo e nas situações de elevada suspeita clínica da presença da doença COVID-19 e seguindo as orientações da Direcção Geral de Saúde deve ser realizado um teste confirmatório PCR, no máximo nas 24 horas seguintes, pois o paciente pode estar positivo e contribuir para a propagação da doença.

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publicado às 12:35


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Médico Responsável:Dr. José Germano de Sousa

germano Nasceu em Lisboa em 1972. É Médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa desde 1997. Fez os seus Internatos no Hospital dos Capuchos (Internato Geral) e no Hospital Fernando Fonseca (Internato da Especialidade). É especialista em Patologia Clínica pela Ordem dos Médicos desde 2001 e é atualmente Assistente Graduado de Patologia Clínica do Serviço Patologia Clínica do Hospital Fernando Fonseca (Amadora Sintra) onde é o chefe da secção de Biologia Molecular Possui uma pós Graduação em Gestão de Unidades de Saúde pela Universidade Católica Portuguesa. Foi Assistente de Patologia Geral e de Semiótica Laboratorial nos Cursos de Técnicos de Análises Clínicas e Curso de Médicos Dentistas do Instituto Egas Moniz.Exerce desde 2001 a sua atividade privada, sendo desde Julho de 2004 responsável pela gestão dos Laboratórios Cuf e Clínicas Cuf para a área de Patologia Clínica. Tem várias comunicações e publicações sobre assuntos da sua especialidade


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